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Seja bem-vindo ao blog da equipe A Bagaceira, da 10ª Gincana Literária do Colégio Monteiro Lobato.
Aqui você encontra tudo sobre todo o conteúdo programático de literatura do 3º ano do ensino médio.
Aproveite e desfrute o que esta "bagaceira" tem a vos oferecer...
Aqui você encontrará inúmeros vídeos tratando-se de reportagens, depoimentos, homenagens e especiais para informar de forma dinâmica e divertida.

domingo, 28 de agosto de 2011

3ª Fase Modernista

Terceira Fase (1945-1960) ou fase de reflexão: de ponderação sobre a linguagem (metalinguagem), com o retorno a alguns modelos estilísticos tradicionais, ao que soma uma temática universalista.

Introdução

A literatura brasileira também passa por profundas alterações, com algumas manifestações representando muitos passos adiante e outras, um retrocesso. O tempo, excelente crítico literário, encarrega-se da seleção.

A prosa tanto nos romances como nos contos, aprofunda a tendência já trilhada por alguns autores da década de 1930 em busca de uma literatura intimista, de sondagem psicológica, introspectiva, com destaque todo especial para Clarice Lispector.

Ao mesmo o tempo o regionalismo adquire nova dimensão com a produção fantástica de João Guimarães Rosa e sua recriação dos costumes e falas sertanejas, penetrando fundo na psicologia do jagunço do Brasil Central

Na Poesia, final dos anos 1940 revela um dos mais importantes poetas da nossa literatura, não filiado esteticamente a qualquer grupo e aprofundador das experiências modernistas anteriores: João Cabral de Melo Neto. Como contemporâneos seus, e com alguns pontos de contato com sua obra, devem ser ainda citados Ferreira Gullar e Mauro Mota.



Contexto Histórico

Encerra a Segunda Grande Guerra, que havia concentrado todas as grandes atenções no plano internacional, os problemas internos do país vem novamente a tona. São fatos marcantes no período de 45 a 50.
  1. 1945 Término da Segunda Guerra Mundial
  2. 1946 Eleição de Eurico Gaspar Dutra
  3. 1950 Eleição de Getúlio Vargas
  4. 1954 Suicídio de Getúlio Vargas
  5. 1955 Eleição de Jucelino Kubitschek
  6. 1960 Inauguração de Brasília

Principais Autores

  • Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa nasceu em 1908 em Codisburgo-MG. Formou-se em medicina e exerceu a profissão até 1934, quando ingressa na carreira diplomática, servindo na Alemanha, Colômbia e França. Em 1963 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, Adiando a posse até 1967. Morreu naquele ano três dias depois da solenidade da posse, vítima de um ataque cardíaco.
Publicando seu primeiro livro, Sagarana, em 1946, um ano após a queda de Getúlio Vargas e o início das produções da chamada geração de 45. Guimarães Rosa apontaria novos rumos para a literatura brasileira.
Veja mais sobre Guimarães Rosa aqui. E veja suas obras aqui.



                                        Guimarães Rosa - Mestres da Literatura - 1 de 3


Parte 2 e Parte 3 (Final)


  • Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu em 1925 na Ucrânia. Ela veio para o Brasil aos dois meses de idade. Criou-se no Recife, mudando-se para o Rio de Janeiro aos doze anos. Formou-se em Direito e aos dezessete anos escreveu seu primeiro livro Perto do coração selvagem.
Clarice Lispector é o principal nome de uma tendência intimista da moderna literatura brasileira. Sua obra apresenta como principal eixo o questionamento do ser humano, resultando no chamado romance introspectivo. "Não tem pessoas que cosem para fora?" - Eu coso para dentro. Assim explica a autora o ato de escrever.
Veja aqui a autobiografia de Clarice Lispector. E suas obras aqui.









                                                          Entrevista com Clarice Lispector Parte 1
                 
            Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5

                                               


  • João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto, nasceu no Recife em 1920. Em 1942 estréia o livro Pedra do sono, onde é nítida a influência de Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes. Em 1945 publica O Engenheiro, em que se manifestam rumos definidos de sua obra. Nesse mesmo ano presta concurso para carreira diplomática, servindo na Espanha, Inglaterra, França e Senegal. Em 1969 é eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras.
A poesia de João Cabral de Melo Neto se caracteriza pela objetividade na constatação da realidade, do cotidiano, desenvolvendo-se em alguns casos, em direção ao surrealismo.

Veja mais sobre João Cabra de Melo Neto aqui. E suas obras aqui.

                                              Entrelinhas - João Cabral de Melo Neto


Concretismo

Introdução

Concretismo foi a mais importante corrente de vanguarda da nossa literatura, surgido em 1950, influenciando poetas, artistas plásticos e músicos. A intenção deste movimento concreto era desvincular o mundo artístico do natural e distinguir forma de conteúdo. Defendia a nacionalidade e rejeitava o expressionismo, o acaso, a abstração lírica e a aleatória.

Características

Os poetas concretistas brincavam com as formas, cores, decomposição e montagem das palavras, para tais efeitos, recorreram ao futurismo e ao cubismo. O aproveitamento do espaço do papel, a valorização do conteúdo sonoro e visual, possibilidades de diversas leituras através de diferentes ângulos e o banimento do verso são mais algumas características desse movimento.

Principais Autores

  • Décio Pignatari

Poeta, ensaísta, tradutor, romancista, contista, advogado, dramaturgo, publicitário e professor, nasce em Jundiaí, São Paulo, filho de imigrantes Italianos, mas cedo transfere-se para Osasco, onde morou até os 25 anos. Publica seus primeiros poemas na Revista Brasileira de Poesia, em 1949. No ano seguinte estréia com o livro de poemas, Carrossel, e em 1952 funda o grupo e edita a revista-livro Noigrandes, com os amigos, os poetas irmãos, Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Augusto de Campos (1931). Em 1953 forma-se em direito pela Universidade de São Paulo (USP) e em seguida viaja para Europa, onde passa dois anos, mantendo contatos com diversos intelectuais. Em 1956 o grupo Noigrandes lança oficialmente o movimento de poesia concreta, durante a Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Concreta de São Paulo. 

Saiba mais sobre Décio Pignatari aqui. Veja suas Obras aqui.

                                         Entrevista com Décio Pignatari - Vereda Literária
Parte 2 e Parte 3 (Final)

  • Augusto de Campos

Augusto Luis Browne de Campos, poeta, advogado, tradutor e ensaísta, nasce em São Paulo, irmão mais novo do também poeta, tradutor e ensaísta Aroldo de Campos (1929 - 2003) Em 1949 é publicado na Revista Brasileira de Poesia, o clube de poesia de São Paulo, ligado a chamada, geração de 45. Em 1951, Estreia com edição independente com o livro de poemas O Rei Menos o Reino. No ano seguinte com o irmão Haroldo e o poeta e ensaísta Décio Pignatari (1927) Forma o grupo Noigrandes, e edita a revista-livro Homônima. Em 1955, publica no seu segundo número da Noigrandes uma serie de poemas em cores, Poetamenos, considerado o marco inaugural da poesia concreta no Brasil.

Saiba mais sobre Augusto de Campos aqui. Veja suas obras aqui.

                                              Augusto de Campo e Cid Campos - Tensão 



sábado, 27 de agosto de 2011

Tendências Contemporâneas

Introdução
      Produções Contemporâneas são obras e movimentos surgidos nas três ultimas décadas e que refletem um momento histórico caracterizado inicialmente pelo autoritarismo, por uma rígida censura e enraizada autocensura. A partir da década de 80, verificou-se uma progressiva normalização da vida democrática no país.

Principais autores


  • Antônio Carlos Viana      



     Nasceu em 1946, em Aracaju, Sergipe. Suas histórias, desde as primeiras coletâneas - Brincar de Mana e Em Pleno Castigo - são sempre econômicas nas exteriorizações afetivas. Viana não se considera um "escritor regional" , suas histórias transcorrem tanto no interior nordestino quanto em Paris, reflexo do período em que escritor doutorou-se em literatura comparada na França. Sua temática, sombria em princípio, não resvala, no entanto, só para enredos de infelicidade. O que prevalece é a perplexidade quase calma e a poesia discreta dos que se comunicam com poucas palavras e observações precisas. O autor morou no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e no exterior. Hoje professor aposentado da Universidade Federal de Sergipe, reside em Aracaju.





Obras:

  1. Brincar de manja (1974) 
  2. Em pleno castigo (1981)
  3. O meio do mundo e outros contos (1993)
  4. Aberto está o inferno (2004)
  5. Cine privê (2009)
Saiba mais sobre Antônio Carlos Viana aqui.

                                                                       Entrevista

Depoimento

     Letícia Wierzchowski e Antônio Carlos Viana
 

  • João Ubaldo Ribeiro 


      João Ubaldo Ribeiro (Osório pimental) Nasceu em Itabuna, Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Sua Formação Literária começou ainda nos primeiros anos de estudante. Foi um dos jovens escritores brasileiros que participaram do International Writing Program da Universidade de Lowa. Trabalhando na imprensa, pôde também escrever seus livros de ficção e construir uma carteira que o consagrou como romancista, cronista, jornalista (Reunião, Panorama do Conto Baiano). Aos 21 anos de idade, escreveu seu primeiro livro, Setembro não tem sentido, que ele desejava batizar como A Semana da Pátria, contra a opinião do editor.


Obras:
Romances;
  1. Setembro não tem sentido (1968)
  2. Sargento Getúlio (1971)
  3. Vila Real (1979)
  4. Viva o povo brasileiro (1984)
  5. O sorriso do lagarto (1989)
  6. O feitiço da ilha do pavão (1997)
  7. A casa dos buda ditosos (1999)
  8. Mizéria e grandeza do amor de Benedita (200) 1º Livro virtual do Brasil
  9. Diário do Farol (2002)
  10. O Albatroz azul (2009)
Contos;
  1. Vececavalo e outro povo (1974)
  2. Livro de histórias (1981)
Crônicas;
  1. Sempre aos Domingos (1988)
  2. Um brasileiro em Berlim (1995)
  3. Arte de ciência de roubar galinhas (1999)
  4. O conselheiro come (2000)
  5. A gente se acostuma a tudo (2006)
  6. O rei da noite (2008)
Saiba mais sobre João Ubaldo Ribeiro aqui.

Entrelinhas - Entrevista com João Ubaldo Ribeiro

Editora Saraiva- Entrevista com João Ubaldo Ribeiro
 

  • Moacyr Scliar


Moacyr Scliar nasceu em Porto Alegre em 23 de março de 1937. Foi um dos mais conhecidos escritores brasileiros da atualidade. Formado em Medicina trabalhava como médico especialista em saúde pública e era professor universitário. Scliar publicou mais de setenta livos, entre crônicas, contos, ensaios, romances e literatura infanto-juvenil. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público amplo de leitores, e em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande quantidade de prêmios literários. Suas obras frequentemente abordavam a imigração judaica para o Brasil,mas também tratava de temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas. Entre suas obras mais importantes estão: O Ciclo das águas, A estranha nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O Centauro no Jardim. Este último incluído na lista dos 100 melhores livros de temáticas judaica dos últimos 200 anos, feita pelo National Ydish Book Center no Estados Unidos. Scliar morreu no dia 27 de Fevereiro de 2011 aos 73 anos devido a complicações após um Acidente Vascular Cerebral (AVC)


Veja todas as suas obras aqui.

Veja mais sobre Moacyr Scliar aqui.                                                   Literatura 
Moacyr Scliar 


   Roda Viva - Moacyr Scliar

Vida de Moacyr Scliar





  •  Nelson Rodrigues

Veja tudo sobre Nelson Rodrigues aqui

Veja todas as suas obras aqui
Entrevista com Nelson Rodrigues


  • Rubem Fonseca 
Veja tudo sobre Nelson Fonseca aqui.
E todas as suas obras aqui.








  • Lygia Fagundes Telles


Veja tudo sobre Lygia Fagundes Telles aqui.
E todas as suas obras aqui

 







Entrevista - Lygia Fagundes Telles




  • Ana Miranda
Veja tudo sobre Ana Miranda aqui.
E todas as suas obras e complementos aqui.
















Entrevista especial - Ana Miranda


  • Patativa do Assaré

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, nasceu em 05 de março de 1909, na Serra de Santana no Sul do Ceará.

     Patativa foi unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil, e para isso tinha uma receita prosaica que dizia: "Para ser poeta não é preciso ser professor, basta no mês de maio recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do meu sertão. 
     Patativa tinha como inspiração principal o contraste entre as questões socioeconômicas do Nordeste com sua beleza natural.
     Patativa inspirou músicos da velha e da nova geração, rendeu livros, biografia, estudos em universidades estrangeiras e peças de teatro.

     Luiz Gonzaga gravou várias músicas dele, entre elas a que lançou Patativa comercialmente, 'A Triste Partida'.

Patativa veio a falecer em 8 de Julho de 2002, devido a complicações depois de uma queda.

Entrevista com Patativa do Assaré



  • Cazuza


     Agenor de Miranda Araújo Neto, dito Cazuza, nasceu em 04 e abril de 1958, no Rio de Janeiro.
      Cazuza foi um cantor e compositor do rock nacional. Ficou mais conhecido como principal vocalista da banda Barão Vermelho. Sua parceria com Roberto Frejat é considerada por alguns uma das melhores do rock no Brasil. Cazuza também é conhecido como o Poeta do Rock Brasileiro. Cazuza possuía um estilo rebelde e lírico. Entre as principais composições de Cazuza estão: Exagerado , Todo amor que houver nessa vida e Eu preciso dizer que te amo.
Cazuza morreu em 07 de Julho de 1990, devido a complicações causadas pelo vírus da AIDS.
Veja mais sobre Cazuza aqui.

                                                        

                                                        Entrevista com Cazuza - Jô Soares

  • Renato Russo


Renato Russo, nome artístico de Renato Manfredini Júnior, nasceu em 27 de março de 1960 no Rio de Janeiro. 

Renato Russo foi um famoso cantor, compositor, músico e poeta da música brasileira.

Líder e único vocalista da Legião Urbana, Renato Russo destacava-se por ser o principal compositor da banda. Renato Russo desenvolveu um estilo próprio que ia do extremo romantismo como encontrado nas músicas: 'Mil Pedaços' e 'Quando Você Voltar' à críticas sociopolíticas, como nas músicas; 'Que País É Esse', 'Metrópole' e 'Índios'. Entre as suas principais canções destacam-se: 'Pais e Filhos' , 'Mais uma vez' e 'Que País é Esse'.
Renato Russo cantou ao lado de outros grandes nomes da música brasileiro, tais como: Hebert Vianna, Erasmo Carlos, Paulo Ricardo, Cássia Eller, Leila Pinheiro, 14 Bis e outros.

Renato Russo veio a falecer em 11 de outubro de 1996, também devido a complicações causadas pelo vírus da Aids. Deixando assim não só a Legião Urbana, mas até hoje, uma legião de fãs.

Veja mais sobre Renato Russo aqui.

                                                 Entrevista com Renato Russo MTV

Leituras Obrigatórias



Capitães da Areia


   Capitães da Areia é um clássico na temática das crianças desprovidas de qualquer amparo social, legadas ao destino incerto dos que são propositalmente marginalizados, erradicados do convívio social. A trajetória dos meninos, que enfrentam os representantes do poder e roubam dos ricos para partilhar o produto do fruto entre os companheiros pobres e abandonados, constitui uma das principais obras de Jorge Amado.  


Este grupe, que sobrevive de apropriações indébitas e golpes sem maior importância, desfila pelas ruas da cidade alta na Bahia, cada integrante exibindo apelidos que traduzem atributos físicos ou, no caso do Professor, virtudes intelectuais, o único membro da gangue dotado de dons culturais.

Personagens como o líder dos Capitães,o loiro Pedro Bala, 
surpreendentemente rápido, oq ue justifica seu codinome, Pirulito, constantemente obcecado com a purificação dos pecados, o sensual Gato, que acalenta o desejo de se transformar em cafetão, e Professor, o amante das letras, assim como os demais membros do grupo, são desenvolvidos com maestria pelo autor, que aprofunda sem hesitar o perfil de cada um.

Dora é a única personagem feminina que sobressai, pois é o ponto de contato deste universo masculino com a esfera feminina, por uns é vista como irmã, por outros, é a imagem materna. Para Pedro Bala ela é a mulher ideal, sua amada. Percorrendo as ruas da cidade e o caminho do mar, os Capitães de Areia estão sempre ocultos aos olhos dos poderosos. Eles encontram seu próprio caminho no desafio a ordem constituída. 




Autor 







     Jorge Amado de Faria, nasceu em Itabuna - BA em 1912.
Em 1921 matricula-se na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro; nesse ano estréia com o romance: O País do carnaval. Em 1932, levado por Rachel de Queiroz, frequenta grupos políticos de esquerda e filia-se ao Partido Comunista Brasileiro. Em 1936 e 1937 conhece as agrudas da prisão política. Em 1946, com a e democratização, elege-se deputado pelo PCB, mas no ano seguinte tem seu mandato suspenso em consequência da decretação de ilegalidade do partido. Em 1948 inicia uma viagem a vários países socialistas da Europa. A partir de 1958, dedica-se a uma produção literária metódica que lhe tem permitido vive da literatura.
Jorge Amado representa o regionalismo baiano das zonas rurais do cacau e da zona urbana de Salvador. Sua Grande preocupação foi fixar tipos marginalizados para, através deles, analisar toda uma sociedade. Seus romances, vazados numa linguagem que retrata o falar do povo, são marcados pelo lirismo e pela postura ideológica. 

Veja mais aqui e aqui.
Capitães da Areia 
                                        

                                          Capitães da Areia - Jorge Amado
                                       







A Estrela Sobe


   Publicado em 1939, A Estrela Sobe se passa em grande parte “no pequeno mundo das estações de rádio", contando as peripécias e sofrimentos de Leniza Maier, moça suburbana que, no Rio de Janeiro da década de 1930, sonha com o sucesso como cantora. Sua jornada rumo ao estrelato é marcada por percalços e dilemas morais: quer cortar os laços com todos os que possam atrapalhar sua ascensão, mas a nostalgia pela vida pregressa a domina. No fim, engravida e aborta, chegando à beira do delírio e da morte. Salva-se, mas sua crise está longe de terminar. Antes de dar um fecho convencional à história, porém, o autor prefere deixá-la em aberto. Diz o narrador: “... aqui termino a história de Leniza. Não a abandonei, mas, como romancista perdi-a".

      


      Como já citado, a personagem central se chama Leniza. De origem humilde, fica órfã de pai ainda pequena. A mãe passa a trabalhar fora. Leniza trabalha para ajudar nas despesas. Moça atraente, namora muito, e variadamente, e é muito assediada pelas ruas do Rio de Janeiro. Muda de emprego. Trabalhava em um laboratório quando conheceu e se apaixonou por um médico, o Oliveira. Leniza fica ora com Oliveira, ora com Mário Alves — este, dono de um estabelecimento que comercializa aparelhos eletrônicos, entre os quais, rádios. Ela sonha se tornar uma cantora do rádio. Abandona o emprego no laboratório. O patrão adverte que vida de artista não é fácil. A mãe fica com medo. Mário Alves a leva para fazer o teste em uma emissora. Leniza não conta para Oliveira que está cantando no rádio: alega estar em férias. Ela passa a se chamar Leniza Máier. Suas fotos são publicadas em revistas. Oliveira reprova a opção de Leniza. Ela se relaciona com Mário Alves mas pensa em Oliveira.
   


      Leniza consegue algum dinheiro. Muda-se da casa do subúrbio para um apartamento na zona sul carioca. A mãe vai junto. Leniza rompe com Mário Alves. Oliveira não a quer mais. Ela, então, passa a namorar Dulce, uma colega da rádio. Dulce ensina: as cantoras não ganham dinheiro na rádio, é preciso ter um amante. Leniza abandona Dulce e se oferece para ser amante de Porto, homem forte na rádio. A mãe de Leniza fica doente. Leniza dá um fora em Porto e passa a ser amante de Amaro, um homem rico. Ela vai cantar em outra emissora de rádio. Sente-se infeliz. E toda vez que encontra com Oliveira, casualmente, na rua, imagina que ele, e somente ele, poderia tirá-la do mundo infeliz em que ela se encontra.




      Leniza Máier é uma jovem pobre em busca de sucesso na grande fábrica de sonhos da época: o rádio. E, como visto, para conseguir seus objetivos utiliza de todos os meios – a ponto de recusar o amor verdadeiro e aceitar outros, menos sinceros. A personagem é uma alegoria da cidade do Rio de Janeiro. Os conflitos, as perplexidades, as angústias, as alegrias da personagem, na verdade, são os conflitos, as perplexidades, as angústias e as alegrias da cidade. Sua voz se confunde com a voz do rádio; sua ascensão como cantora representa a modernização da sociedade. Embora protagonista da estória, Leniza não é a sua personagem principal. A fama, antiga deusa grega que significa voz pública, essa sim, é a voz principal do romance. Leniza, mais do que uma voz, é porta-voz, sua voz é uma metáfora da vox populi.




        A prosa urbana moderna. Esse é o lugar literário da obra do escritor Marques Rebelo, que, deste modo, se insere na linha de Manuel Antônio de Almeida, de Machado de Assis e de Lima Barreto. Como seus predecessores, Rebelo aprendeu as armas do distanciamento e da ironia, que usa nos melhores momentos de sua ficção.








Autor


      Marcos Rebelo é pseudônimo de Edi Dias da Cruz. que nasceu no Rio de Janeiro em 1907 e morreu em 1973. Marques Rebelo está no centro de uma linhagem romanesca carioca que instaurou a escrita urbana brasileira. Se Manuel A. de Almeida, Machado de Assis e Lima Barreto, entre outros, o procederam, ele, escrito do momento presente, com o Rio de Janeiro tendo passado por inúmeras transformações decorrentes do amplo processo de industrialização e o mundo sendo surpreendido pelas guerras mundiais, sabe que seu tempo é outro. 


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Odette Lara no filme 'A Estrela Sobe' - Nada Além

Cenas do filme A Estrela Sobe


sexta-feira, 26 de agosto de 2011



A Procura de Jane

   Segundo a autora, Gizelda de Morais, A Procura de Jane foi escrito entre 2004 e 2005, e presta uma homenagem a Miguel de Cervantes, cujo Dom Quixote de la Mancha comemorava, naquela época, quatro centos anos de edições, levando ao mundo a mensagem dos sonhadores em seu confronto com a dura realidade.

   Dividido em três partes, a viagem, a chegada e a busca, o enredo é basicamente a história da protagonista Jane que está de retorno dos Estados Unidos para o Brasil, depois de uma longa viagem. Esta Viagem foi acima de tudo o sonho da protagonista.

   A primeira parte, A Viagem se dá com o retorno da protagonista Jane ao Brasil, nada prazeroso. Jane se pergunta sobre a sua nacionalidade e se há sentido para a sua volta, faz uma dura crítica ao idioma inglês e ao modo como os americanos tratam seus turistas estrangeiros. Procura o sentido exato da vida e pergunta-se para que serve tanta cultura se tudo acaba na morte. Sua frustração inicial tinha sido pela perda dos seus manuscritos, seu ódio aumentou ainda quando o viu Publicado com o título de Jane Brasil num tabuleiro de promoção, num livraria, em Salvador onde passava férias. Sua busca pela psicóloga que roubou seus manuscritos, tornou-se uma obsessão.

   A segunda parte, intitulada A Chegada trata-se da chegada do avião ao aeroporto de São Paulo. Jane se vê sem dinheiro por ter vendido seu velho fusca e seu apartamento. Jane arrepende-se de ter passado tanto tempo em sala de aula e convenceu-se por fim que a sabedoria é adquirida com a idade e a verdade é apenas um fragmento do que lhe é imposto pela realidade a que seus olhos lhe permitem ver.

   Na terceira parte, A Busca , Destacasse os momentos em que Jane se depara com uma orquestra tocando música de Roberto Carlos e se emociona.Quando recebe a resposta da acusada contra Jane, deixando a própria Jane questionada quando mostra a carta ao amigo Ubaldo, sem saber se realmente sofreu um traumatismo craniano, causando-lhe uma amnésia parcial e provisória. Na descoberta da sua verdadeira origem, Jane estabelece uma nova busca por sua família, que encontra e cria expectativas para o futuro com a mãe que decidiu morar com ela.



Autora



Gizelda Santana Morais, nasceu em 30 de maio de 1939, na cidade de Campo do Brito, Sergipe. Em razão de deslocamento de seus pais para Riachão do Dantas - SE, esse foi oficialmente anotado como seu local de nascimento. Estudos Primários no Grupo Escolar Tobias Barreto da cidade de Tobias Barreto (Sergipe) onde passou a infância e leu os primeiros livros na Biblioteca pública do mesmo nome. Estudos ginasiais e secundários no Colégio N.S de Lourdes e Ateneu Sergipense em Aracaju.

Aprofunde-se clicando aqui.

                                    Trabalho sobre o livro A Procura de Jane
                                       


Entrevista com Gizelda Morais